Boa noite!
Hoje é o dia internacional das peúgas descalças
três batatas no prato
a hierarquia comercializável
a maioria conformista o mais possível
a vocação da boa vida, convenhamos,
a despontualidade,
a promoção a ministério da deseducação
a crítica bem dispensante
a descultura dos media
fedorentamente juntos superamos expectativas
o (desat)ino nacional
assim, assim, sabes?
tenho fases, como o sol
as metamorfases
também mulheres, muitas,
talvez mil
Ana Braz
(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=8&s=154&l=2679
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Pesada leveza flores de plástico
assimtudo arranjadinho
os cristãos do referendo no fundo não são má gente
o menino jesus é que fala mau português
lamento
não conhecia os sms
a fundação para a promoção da alegria dos devotos (diarreia de beatices)
desliberaliza, descensura e publica um boletim deinformativo
um pecado mortal desgravíssimo
um pastor de cabras que faz xixi na cama
vejo-me aflito com a malta, pá!
o lixo que a vida tem!
agora, aos sessenta, o pulso é pesado desde dentro
um país velho é um país mais doente
hoje é antevéspera de natal:
"f.natl, mt paz e mts bjs"
Ana Braz
(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
PROCURA-SEProcura-se um homem
que desapareceu no dia 14.
Calçava sapatos pretos
e vestia uma espécie de nuvem,
dessas que se acham em qualquer lugar.
Costuma falar sózinho,
especialmente quando caminha.
Quando desapareceu,
carregava uma bolsa
com alguns poemas sem palavras
e alguns acenos suicidas.
Comia morangos
quando desapareceu.
Também carregava
duas estrelas mortas
no bolso da camisa,
do lado esquerdo.
Dizia que não tinha nome,
mas era por esquecimento.
Procura-se esse homem
que sumiu com alguns segredos.
Disse que ia falar com as pedras
e desapareceu no dia 14.
Quem tiver alguma notícia
sobre seu paradeiro
por favor
não informar ninguém.
Álvaro Alves de Faria
(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)
Final
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Para que servem?
O bom público da Poesia
Revista da palavra e da imagem
Revista "Oficina de Poesia", 10 anos - nºs 8 & 9(...)
como sempre não tenho nada para lhe dizer
como sempre o público da poesia sabe isso muito bem
mas di-lo apenas de si para si e não em voz alta
não só porque é delicado solícito jovial
e no fundo também reservado optimista de bom trato
mas acima de tudo porque ama
ama de um amor profundo sincero irresistível
dum amor tenaz exclusivo dilacerante
(...)
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