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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Couve de Sabóia

Boa noite!
Hoje é o dia internacional das peúgas descalças

três batatas no prato
a hierarquia comercializável
a maioria conformista o mais possível
a vocação da boa vida, convenhamos,
a despontualidade,
a promoção a ministério da deseducação
a crítica bem dispensante
a descultura dos media

fedorentamente juntos superamos expectativas

o (desat)ino nacional
assim, assim, sabes?
tenho fases, como o sol
as metamorfases

também mulheres, muitas,
talvez mil

Ana Braz

(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=8&s=154&l=2679

Pesada leveza flores de plástico

assim
tudo arranjadinho
os cristãos do referendo no fundo não são má gente
o menino jesus é que fala mau português
lamento
não conhecia os sms

a fundação para a promoção da alegria dos devotos (diarreia de beatices)
desliberaliza, descensura e publica um boletim deinformativo
um pecado mortal desgravíssimo
um pastor de cabras que faz xixi na cama
vejo-me aflito com a malta, pá!
o lixo que a vida tem!

agora, aos sessenta, o pulso é pesado desde dentro
um país velho é um país mais doente

hoje é antevéspera de natal:
"f.natl, mt paz e mts bjs"

Ana Braz

(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

QUESTÃO DE GÉNERO

as mulheres assumem-se
socialistas, capitalistas,
feministas, machistas...

e não me entendem
quando me assumo Preta
vivo minha pretidade!

qual a necessidade
de me assumir preta?
senão na polis
onde a minha humanidade
é negada

Lourenço Cardoso

(Oficina de Poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)
PROCURA-SE

Procura-se um homem
que desapareceu no dia 14.

Calçava sapatos pretos
e vestia uma espécie de nuvem,
dessas que se acham em qualquer lugar.

Costuma falar sózinho,
especialmente quando caminha.

Quando desapareceu,
carregava uma bolsa
com alguns poemas sem palavras
e alguns acenos suicidas.

Comia morangos
quando desapareceu.

Também carregava
duas estrelas mortas
no bolso da camisa,
do lado esquerdo.

Dizia que não tinha nome,
mas era por esquecimento.

Procura-se esse homem
que sumiu com alguns segredos.

Disse que ia falar com as pedras
e desapareceu no dia 14.

Quem tiver alguma notícia
sobre seu paradeiro
por favor
não informar ninguém.

Álvaro Alves de Faria

(Oficina de poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)

Final

Ponho fim à vida
em legítima defesa.

Álvaro Alves de Faria

(Oficina de Poesia - 10 anos, nºs 8 9)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Para que servem?

Para que servem poetas
em tempos de penúria?

Para que servem
tempos de penúria?

Adília Lopes

(in "Oficina de Poesia, 10 anos, nºs 8 & 9)

O bom público da Poesia

(...)
louvado seja pois o público da poesia
louvado o seu justo nobre grande amor pela poesia
em cujo reflexo nós pálidos humildes mensageiros
vivemos gratos e bem-dizentes
(...)

(Oficina de Poesia - 10 anos, nºs 8 & 9)

Revista da palavra e da imagem

Revista "Oficina de Poesia", 10 anos - nºs 8 & 9

(...)
como sempre não tenho nada para lhe dizer
como sempre o público da poesia sabe isso muito bem
mas di-lo apenas de si para si e não em voz alta
não só porque é delicado solícito jovial

e no fundo também reservado optimista de bom trato
mas acima de tudo porque ama
ama de um amor profundo sincero irresistível
dum amor tenaz exclusivo dilacerante
(...)