Respiração de prata
És fingimento e lamento,
és fugaz ou és eterno,
verso amado, sofrido,
palavra que ondula na canção,
espírito indeciso,
corpo impopular.
Quem sabe se tens razão?
Respiração de prata
que embala a quadra
e geometriza a rima,
presumível inocência
assumida mea culpa,
palpite venal,
lugar comum doloroso.
A dita contemplação...
Uma barragem arterial.
Tens dono?
Se me souberes responder,
poema,
ser-te-ei grato.
Mesmo que escrevas:
a poesia não rima com a vida.
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
Lado negro
Pálpebras
Podes fechar os olhos, é teu o olhar.
Vês cores luminosas que se movem exuberantes
no negro palco
onde espectadores cegos aguardam
a hora mágica.
Estilhaços de luz.
Poderíamos olhar de olhos fechados
a vida inteira
e dançávamos sonâmbulos
nas tuas finas pálpebras
- elas filtram fantasmas que ninguém vê!
Brincar docemente ao som transparente
tranquilo
pacífico
das tuas pálpebras
tão finas e frágeis, quase invisíveis,
que protegem meio olhar.
E mesmo que feches os olhos,
vês sempre qualquer coisa...
Mesmo que os feches com muita força,
vês mais.
O olhar é a maçaneta da porta,
a decisão de não ficar nem partir.
Basta ver uma vez.
Fecha os olhos e abre o peito.
Devagar, devagar...
Não vês?
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
Podes fechar os olhos, é teu o olhar.
Vês cores luminosas que se movem exuberantes
no negro palco
onde espectadores cegos aguardam
a hora mágica.
Estilhaços de luz.
Poderíamos olhar de olhos fechados
a vida inteira
e dançávamos sonâmbulos
nas tuas finas pálpebras
- elas filtram fantasmas que ninguém vê!
Brincar docemente ao som transparente
tranquilo
pacífico
das tuas pálpebras
tão finas e frágeis, quase invisíveis,
que protegem meio olhar.
E mesmo que feches os olhos,
vês sempre qualquer coisa...
Mesmo que os feches com muita força,
vês mais.
O olhar é a maçaneta da porta,
a decisão de não ficar nem partir.
Basta ver uma vez.
Fecha os olhos e abre o peito.
Devagar, devagar...
Não vês?
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Omnivoraz
Sou o omnivoraz filho
herdeiro de insensatez genética
da fervida veia poética
que se desculpa com a natureza.
Trago no ADN comportamentos estrangeiros,
irresponsabilidade infantil,
cabazes de risco e premonição,
sonhos de marinheiro, poemas nos pulmões.
Devoro quadros e marisco,
palavras de Roquefort.
Tenho fome de ideologias, sede de magias.
Sofro de indigestões.
Desafio tudo e todos
a percorrerem o meu fio milimétrico
em pezinhos de lã azul,
a atravessarem a minha fronteira negra
com passaporte falsificado.
Podem sempre voltar e retroceder
para isso a que se chama passado,
vomitar na semi-iluminada alfândega
o medo aos pedaços.
Mastigo a insuportável imoralidade social
e cuspo as suas grainhas de uva
a três metros de distância
de tudo e todos.
Ponho em causa mesmo o infinito.
Durante o pouco tempo que me resta,
transformo o último segundo
no derradeiro risco.
Eu já sabia que iria ser assim, e tu?
É o único decente formato de vida
inteiro, sentido, vivido e morrido.
A vida mal copiada de um ficheiro ZIP.
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
herdeiro de insensatez genética
da fervida veia poética
que se desculpa com a natureza.
Trago no ADN comportamentos estrangeiros,
irresponsabilidade infantil,
cabazes de risco e premonição,
sonhos de marinheiro, poemas nos pulmões.
Devoro quadros e marisco,
palavras de Roquefort.
Tenho fome de ideologias, sede de magias.
Sofro de indigestões.
Desafio tudo e todos
a percorrerem o meu fio milimétrico
em pezinhos de lã azul,
a atravessarem a minha fronteira negra
com passaporte falsificado.
Podem sempre voltar e retroceder
para isso a que se chama passado,
vomitar na semi-iluminada alfândega
o medo aos pedaços.
Mastigo a insuportável imoralidade social
e cuspo as suas grainhas de uva
a três metros de distância
de tudo e todos.
Ponho em causa mesmo o infinito.
Durante o pouco tempo que me resta,
transformo o último segundo
no derradeiro risco.
Eu já sabia que iria ser assim, e tu?
É o único decente formato de vida
inteiro, sentido, vivido e morrido.
A vida mal copiada de um ficheiro ZIP.
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Lado negro
no centro das pedras;
toda a sonoridade
do outro lado do mundo;
a partitura vazia da dança
solitária das crianças.
O baloiçar de uma
brisa amena, um andar nocturno.
A língua anestesiada,
sem expressão;
um esperanto por dizer
na única pergunta:
onde está o meu silêncio?
Descubro o mapa do labirinto
que me conduz ao lugar
escondido e fechado
da minha intenção
em forma de reticências.
Encosto os dentes às palavras
que magoam como pregos,
mastigo as pétalas negras;
misturo as pestanas
que crescem nos olhos
como teias de aranha;
deixo de ouvir
e penso silenciosamente
na provada insanidade
deste mundo onde vivo.
Já ouvi demais por ora!
Só quero dormir,
sentir o meu silêncio
um branco acinzentado
com textura de algodão
Marco Dias
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Transfusão de palavras
Deixa-me sangrar pelos poros
ou estanca, se quiseres,
os meus conceitos envenenados,
a minha mentira ingénua
da qual também és responsável.
Bloqueia o que penso devagar:
faz um garrote aos desentendimentos
das sílabas desenquadradas
saídas da fábrica que produz
barulhos incompreensíveis
numa linha de montagem.
Deixa-me sangrar lentamente
o meu sangue vivo e branco;
oxigena a escrita amadora
livre e plural do ser manifesto.
As palavras são tuas
ofereço-tas embrulhadas
numa folha de papel-manteiga.
A plaqueta tectónica mental
provoca um sismo padrão
e dita a condição sem sorte.
O que interessa aqui estar
se não disser o que sinto
ou entender o que penso?
O tempo é uma invenção do homem,
a boca uma cicatriz por fechar.
Faz-me uma transfusão de palavras
para ressuscitar o verbo desmaiado.
Acaricia-me a fronte
com gestos suaves,
limpa-me o suor,
não digas mais nada...
Isto já passa...
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
ou estanca, se quiseres,
os meus conceitos envenenados,
a minha mentira ingénua
da qual também és responsável.
Bloqueia o que penso devagar:
faz um garrote aos desentendimentos
das sílabas desenquadradas
saídas da fábrica que produz
barulhos incompreensíveis
numa linha de montagem.
Deixa-me sangrar lentamente
o meu sangue vivo e branco;
oxigena a escrita amadora
livre e plural do ser manifesto.
As palavras são tuas
ofereço-tas embrulhadas
numa folha de papel-manteiga.
A plaqueta tectónica mental
provoca um sismo padrão
e dita a condição sem sorte.
O que interessa aqui estar
se não disser o que sinto
ou entender o que penso?
O tempo é uma invenção do homem,
a boca uma cicatriz por fechar.
Faz-me uma transfusão de palavras
para ressuscitar o verbo desmaiado.
Acaricia-me a fronte
com gestos suaves,
limpa-me o suor,
não digas mais nada...
Isto já passa...
Marco Dias
http://www.livrariapoetria.com/livro.php?m=1&s=17&l=2529
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